A Escrita



Muitas pessoas já me perguntaram como é meu processo de escrita. Nunca consegui realmente entender o motivo dessa pergunta. Eu nunca escrevi um livro que já tenha sido publicado, nunca fui conhecido por algum texto específico. Mas, ultimamente comecei a pensar no assunto e cheguei a alguma conclusões sobre a escrita e talvez eu tenha algumas dicas para quem pretende começar sua saga pessoal de escritor.

Alguns anos atrás escrevi meu primeiro texto não acadêmico. Fiz uma análise pessoal, infantil e arrogante de uma situação em um contexto particular. Não irei cansar você com essa análise, mas ainda assim aprendi com ela. Aprendi que não é porque a questão importa pra você que ela importará para todos. Não importa a quantidade de paixão que se coloque num texto, se ele não é compartilhado, ele morre na praia. Estou, obviamente, partindo do pressuposto de que você quer ter leitores.

Hoje, com o advento da internet, esse problema foi minimizado. Você encontrará seu nicho, que pode ser pequeno, se você gosta de escrever poesias sobre estrelas que tem nomes em forma de numerais, ou grande, se você gosta de fantasia que envolve dragões e outros tipos de seres místicos. Aqui entramos com o segundo problema, que muitos escritores vivem sem saber que de fato o fazem. Não importa se você escreve para um grupo altamente numeroso - se não houver paixão na escrita, este texto irá se perder.

Parece uma contradição, mas vejam bem, assim como é infrutífero escrever sobre um assunto pelo qual você e somente você é apaixonado, também o é se você escreve sobre algo que todos amam mas você despreza. O primeiro tipo de fracasso é preferível, pois no fim das contas você terá escrito um texto do qual gosta, do qual sente orgulho, ainda que somente uns poucos o leiam.

No momento em que vivemos, de constante partilha de informações e de intensa troca de dados, é raro que um autor não alcance alguns leitores. Pode ser que a pretensão original não seja alcançada, mas ao menos existe satisfação pessoal com o resultado. Este primeiro passo da questão serve para acabar com algumas de nossas ilusões. Não se sensibilizem, escritores são pessoas repletas de ilusões e na maioria das vezes vivemos num mundo particular, cheio de elementos imaginativos. O sucesso literário é, às vezes, um deles.

Superado este primeiro obstáculo, o da inocência da recepção, passamos ao segundo, e já antecipo que serão três. O segundo ponto é relativo à disciplina do autor: ela precisa existir, simples assim. Eu poderia gastar alguns parágrafos dando dicas sobre como evitar a procrastinação, mas prefiro usar este espaço para dizer o seguinte: 20% de um livro é inspiração, 80% é transpiração, e estou sendo otimista.

Você pode ter uma ideia fabulosa, pode ter um mundo perfeito criado em sua cabeça, pode ter os personagens mais complexos prontos para ganharem as linhas do seu livro, mas se você não criar uma rotina diária de escrita e escrever mesmo que não consiga pensar em nada de interessante, garanto que seu percurso será muito mais árduo. Escrever é o que o um autor faz, por isso uma rotina, um calendário disciplinado é essencial. Este segundo ponto nos conduz ao terceiro.

Chamo-o de “da mente ao papel”. Se você criou um personagem cativante, uma história envolvente, uma narrativa fluida e um cenário crível, mas nada disso saiu da sua cabeça você ainda não tem praticamente nada. Uma história na sua mente não é uma história contada e o que pensamos é completamente diferente do que escrevemos. Um personagem muda no momento em que ganha as páginas, qualquer pessoa que tenha escrito pelo menos um resumo sabe disso.Por isso a importância de insistir em escrever, mesmo quando não há a menor inspiração, escrever precisa se tornar uma segunda natureza, um hábito, é preciso escrever com a mesma frequência com que se lê, eu ousaria dizer.

Estes são os passos de uma pessoa que vem escrevendo a mesma obra a quatro anos e que, nesse intervalo, escreveu um TCC, duas dissertações de mestrado, diversos textos curtos e muita mas muita coisa que ninguém lerá.

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