Tudo e Todas as Coisas, Nicola Yoon



“A vida é um dom. Não a desperdice. ”

A protagonista dessa história é Madeline Whittier, uma garota de dezoito anos que nasceu com a chamada “doença da bolha”, a Imunodeficiência Combinada Grave (IDCG). Essa doença já foi utilizada em alguns livros e filmes, até baseados em histórias reais (Como “Bubble boy” – O Garoto da Bolha). Basicamente, a pessoa não possui um sistema imunológico desenvolvido para nada, e entrar em contato com qualquer coisa que nós consideramos comuns, como o ar, pode desencadear uma crise alérgica fatal.

A mãe de Maddy é médica e equipou a casa de modo que todo o ar seja filtrado e que seja sempre o mais seguro possível. Isso inclui todos os móveis e paredes brancos, para facilitar a visualização da sujeira. Enquanto ela trabalha, Maddy fica com a enfermeira, Carla, que é uma personagem apaixonante. Carla é quase sua segunda mãe e faz de tudo para que a vida dela no confinamento seja a melhor possível, mesmo quando isso parece impossível.

Durante o dia, Madeline tem aulas por Skype, lê muitos e muitos livros – afinal, tudo o que ela tem é tempo – e à noite joga com sua mãe jogos inventados por elas, além de assistir filmes. Tudo se complica quando uma nova família muda para a vizinhança e o filho, Oliver, traz um bolo até a casa dos filtros. Nem ele nem o bolo podem entrar. É aí que a diversão começa, graças à nossa querida internet.

Madeline e Oliver se tornam um casal bem incomum. Por conta da doença de Maddy, eles não podem se ver por algum tempo e não podem se tocar. A princípio, funciona como ter um relacionamento à distância, com a diferença de que seu namorado é seu vizinho. Eles conversam pela janela e pela internet e tudo é bem bonitinho. Até que isso passa a não ser o bastante.

A proteção absurda da mãe, justificada pela doença da filha, é vista como preocupação racional além de excessiva e tudo fica bem naturalizado no ambiente construído. Afinal, o que você faria se alguém da sua família tivesse IDCG? O hábito de Olly de sentar no telhado e se isolar da família também é justificado. Carla parece ser naturalmente boa e atenciosa, tratando Maddy como muito mais do que apenas uma paciente. Tudo se encaixa como um quebra-cabeças durante o livro todo.

O livro trata do problema da violência doméstica, com os pais de Olly e o ódio que o garoto alimenta do pai e também da mãe, que aceita e perdoa o marido. Uma das mensagens que recebi desse livro foi justamente quão complicada e multifatorial é a questão de abandonar o agressor quando você tem filhos e não tem um emprego – pelo menos é isso que dá a entender. Você passará por muitos dilemas psicológicos ao longo da história se prestar atenção suficiente.

A escrita de Nicola Yoon é mais do que apropriada para adolescentes: é perfeita. Rápida, envolvente e simples. Devo dizer que esse lançamento da editora Novo Conceito foi o melhor Young Adult que li esse ano. É muito fácil se afeiçoar aos personagens principais e torcer por eles, além de todas as reviravoltas que temos e, principalmente, do final. QUE. FINAL.

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